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terça-feira, 21 de junho de 2011

Será que Angola pode ser alternativa de trabalho para portugueses?



Quem está em Angola e ouve os noticiários de Portugal, e sobretudo quando de falar de vir trabalhar para Angola, dá a nítida sensação de que a coisa são favas contadas.
Depois aparecem uns casalinhos, poisados sobre a fortaleza de S. Miguel a olhar a baía de Luanda com aquele ar de quem descobriu S. Paulo de Loanda e que vê, ouve ou lê fica de coração aos pulos…
A coisa é tão fácil. Voo directo, pessoas carentes do amor lusitano, prédios altos, restaurantes de estalo, praia todo o ano… quem quer melhor?

Mas desenganem-se!

A vinda como turista (por umas 5 semanas) é de arrepiar os cabelos; visto, carta de chamada, conta bancária, esperas, agências, etc. etc… e a coisa começa a amargar.
Depois e vida mais barata por aqui é mais cara que existe por aí; hotel 350 USD, almoço, 100 USD (sem vinho), transporte em táxi 30 USD, a menos que goste de desportos radicais entre num candongueiro e aí a coisa baixa para 2 USD. É claro que no segundo dia, se sobreviver, vai andar no mais caro da praça.

Mas aqui, ainda que haja muito que fazer, imensas oportunidades, elas não estão penduradas na parede nem se conseguem só porque chegou o Diogo Cão…

Mas vamos ver a coisa de outro ângulo e diria mesmo, do ângulo certo.

Trabalhar aqui pode ser uma oportunidade real se o Governo assim o desejar. Vamos explicar a essa parte.

Aqui o Estado comanda tudo. Petróleo, diamantes, grandes contratos, etc. estão sempre na dependência do governo. Se ele aceitar a pessoa entra e trabalha, senão…

É óbvio que existem empresas portuguesas, sobretudo na área da construção civil e obras públicas, que contratam, mas normalmente a partir de Portugal. Pelo que excluo desta modesta análise.

Ora se o Estado comanda, o Governo Português é por excelência o interlocutor de eleição para este tipo de negociação.

Durante mais de uma década os socialistas vieram cá para fazer publicidade e mentir. Guterres (que até fez um grande e secreto favor a Angola) veio e inaugurou um padrão de descobrimentos. Acreditem. Colocou-o ali na marginal e foi-se sem tratar daquilo que interessava aos angolanos e portugueses. Aos angolanos interessava os descontos feitos para a previdência antes da independência, aos portugueses a vida facilitada em matéria de vistos de trabalho e residência.
Sócrates, correu na marginal, prometeu pagar as pensões, não resolveu nada de relevante para os portugueses e quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Freitas do Amaral) chegou a Portugal disse que não pagava as pensões. Mais uma a juntar aos milhares de mentiras de que foi useiro.

Passos pode marcar a diferença.

Os angolanos aceitam os portugueses. Podemos colocar cá professores, médicos, enfermeiros, trabalhadores especializados em máquinas (transportes pesados), fábricas, etc. etc.
Também pode negociar a facilitação da entrada de portugueses mediante contratos devidamente formalizados.

Podemos deslocalizar empresas (sobretudo de construção civil) porque aqui faz-se caro, mas sem qualidade e os objectivos de crescimento de habitação social são de 3 dígitos.

A nível de exportação, pode haver imensas oportunidades. Não tanto nos produtos acabados, mas nos produtos semi-acabados e produção local.

Deve ser fomentado o intercâmbio para entrada de produtos angolanos na Europa. Faz tanto sentido com Angola, como faz para o Brasil e o estatuto é bem diferente.

A nível de ensino tanto em Angola como em Portugal, há muito para se fazer. Se se criarem aí, campus universitários para africanos (em portugueses) fica mais barato mandar os filhos angolanos para Portugal, do que os colocar aqui a estudar. Mais barato, mais qualidade, mais segurança. Ora isso dá muito emprego. É só investir aí a resposta será imediata.

Talvez Portugal tenha de investir também aqui. Há pouco dinheiro, eu sei. Mas se investir aqui o que pagam em subsídios, em breve terão retorno.
Angola tem recursos elevados. Madeira, pedras ornamentais, café, terrenos agrícolas, água. Investir aqui é ganho garantido, oportunidade de criação de emprego, uma relação de excelência com Angola e com África.

Existirão muitas mais oportunidades (turismo, pescas, saúde, química, siderúrgica, etc.). Portugal conhece bem Angola (melhor que os angolanos em muitas matérias). Angola pode ser uma superpotência em África. Se Portugal estiver ao lado poderá beneficiar em muito desse desenvolvimento. É uma lógica não colonial, de parceria estratégica, num ponto onde tem sinergias que teima em não explorar.

A minha grande dúvida é se o Portas está na disposição de tomar café connosco.



Estratégia política. Passos versus Nobre

Análise ao ambiente


A entrada do ex-candidato à Presidência de António Nobre nas fileiras do PSD, foi no início entendida como uma estratégia de congregação de valores e votos para o PSD.

Ele representaria centenas de milhares de votos centrados no descontentamento geral sobre a política, sobre os políticos e sobre o sistema.

Na verdade ele teve uma votação expressiva.

A estratégia do PSD parecia à partida correcta.

Erro de análise ambiental dá origem a acções incorrectas

O convite foi formulado mas Nobre queria ser muito no muito que lhe era oferecido. Se representa 1 milhão, se perdeu o melhor lugar do País, o ideal é ser segundo e esperar nova oportunidade para ir à luta pelo 1º lugar.

No fundo a estratégia de Nobre é simples e poderá até resultar se for levada à prática.

Ir para o PSD mas como segundo do sistema.

O PSD hesita. Mas existe algo a pressionar; o PS ainda que com um desastre de política consegue manter-se à tona, as sondagens apontam para um quase vitória e, num último rasgo de publicidade, até poderá vencer. Passos este entre a espada e a parede; ou ganha as eleições ou perde tudo. E perder é algo que nem ele nem o partido estão dispostos a aceitar. Senão conseguirem neste nefasto quadro de gestão nacional, quando conseguirão fazê-lo?

Nobre sabe disso e não aceita menos do que ser o 2º, ser o Presidente dos Deputados. É pouco, mas por 
agora serve.

Falta de estratégia: Má análise de influências

Há algo de que enfermam os políticos em Portugal; falam mais com os correligionários das secções do partido do que com o povo. Não têm uma grande capacidade para ler os lábios e sentir o povo em geral. 

Aliás isso é visível nas mensagens. Falam muito, mas raramente falam daquilo que as pessoas querem ouvir.
Mas não desviando para outro tema.

O PSD cedeu e eis que temos o Passos com o Nobre ao lado.

A fotografia no entanto destoa. Quando Nobre fala, não é fiambre da perna. É osso, osso seco sem tutano.

O partido só então se apercebe do logro em que caiu.

As pessoas votaram em Nobre como votariam no palhaço Tiririca. As pessoas votam de acordo com a última conversa que tiveram no café, uma boca ouvida no metro, uma dica dada pelo tio que, ele estima muito e até está muito bem na vida (ainda que ele não perceba donde lhe vêm tantos dividendos) …

Assumir o erro, estudar alternativas

Agora há que remediar os estragos. Calar o tipo, evitar que apareça, esperar que a entrada do fulano não sirva de pedra de arremesso do Sócrates e do resto da malta política.

Sorte sua os disparates dos parceiros é tanta que enche as cábulas de todos os partidos.

As eleições correram mais ou menos. A malta não castigou o bando socialista. Aliás, era mais uma coisa a prever, pois quem conhece o povo sabe que ele chora e sofre pelo bandido e um nadinha pela vítima.

Ainda que a sua situação esteja mal, o Zé-povinho vê os patrões e banqueiros descontrolados, falidos e isso acaba por ser água fresca sobre a sua pele queimada…
Agora Passos tem que resolver a maca da candidatura do tropeço. Sabe que vai perder.
Perdeu uma, perdeu duas.
E lamentou.

Estratégia alternativa:

Fazer compreender ao povo, ao Nobre, ao PSD e a todos os partidos, que Nobre já não serve, que todos foram enganados e que lhe cumpre a ele a doce vingança.

O CDS com um bocadinho de pressão até liberaria uns votinhos, mas não interessa ao PSD.

No parlamento o PS até estava preparado para votar no dito, mas o PSD pediu para esquecer. O PS entendeu.

1ª Ronda: Partidos 1; Nobre 0
2ª Ronda: Partidos 2; Nobre 0
(Nota: Em Belém ouviu-se um tiro. A GNR correu não fosse o Cavaco ter-se suicidado. Nada! Estava a comemorar com ginginha já que não aprecia champanhe)

Nobre percebeu então que ninguém o queria, e ainda menos os PSD. a Sua estratégia morrera. Desistiu.

Estrategicamente Passos venceu, contrariando o que os “mass-media” disseram.

Os partidos agradeceram ao Passos, mantendo um simpático silêncio (o que não é comum).

Agora a vida continua…

Nota: Estratégia completa: Afastamento do Nobre do parlamento. Que fazer?

Simples: Dar-lhe a palavra uma vez por semana. Ele afastar-se-á voluntariamente para ir dar apoio a uma calamidadezita gerida pela Guterres…


domingo, 19 de junho de 2011

Eis senão quando, Portugal tenta mudar...



Sempre concordei com as medidas de Sócrates.

Estatura média, magro, deve calçar o 42 e camisola L.
Nota: Este comentário é para aqueles que acham que eu nunca concordei com as suas medidas.
No “Portugal dos Pequeninos” ele vergava-se para passar pela porta (respeito), e saiu por entre os escombros em caliça, com as pestanas a fumegar…

Aliás os amigos dele também concordavam com ele. Isto até às 8:01 horas do dia 5 de Junho de 2011. Um minuto depois, os amigos faziam bicha, perdão, fila, no Caldas, Estrela, Camões…

Poucos ficaram ao seu lado, sobretudo com receio de, ao tombar, não os esmagasse.

Mas no fundo, no fundo, ele não fez um mau trabalho.

  • Na Educação ninguém reprova. O respeito impera e, pelo menos pelo interior do País, as crianças, até nos pátios mantêm a compostura e o silêncio. Se alguém passar não será por certo perturbado pela algazarra dos putos ranhosos de bata a cheirar a giz… Na cidade os desportos entraram e fazem parte relevante dos curricula global (tiro, boxe, facas chinesas, chumbo grosso).
  • ·        Na saúde já são poucos os pobres que lá vão (e com o tempo cada vez serão menos). Ainda que a construção de hospitais tenha desencadeado reacções negativas do Bispado de Braga (os hospitais ameaçavam ser mais do que igrejas), a verdade é que já começamos a ter um hospital por cada 100.000 habitantes e por médico.
  • ·        Na economia nunca se esteve melhor. Atento a tudo o que se passava à direita e à esquerda da economia, o Ministro tinha tudo controlado e sempre deu as dicas certas aos compadres, perdão, camaradas ministros, no sentido de seguirem em frente, com ele atrás. O País afundou, mas de forma controlada e segundo critérios estatísticos novos. Pelos antigos estaríamos numa boa.
  • ·        Na guerra, mais uma vez peço perdão, na defesa, tivemos a sorte de poucos soldados morrerem no exterior. Espero que continuemos com essa sorte, porque eles todos se afadigam a mandar os filhos dos outros para guerras que nada nos dizem.

É curioso o interesse destes políticos de Pê grande, em nos meterem em guerras lá nos confins do Mundo. Proteger a fronteira norte de Israel. Se bem me lembra, Portugal foi diligente matador de mouros durante uma data de séculos. Quando acabaram os mouros, dedicaram-se aos judeus. Quando acabaram os dois passámos a ser amigos de ambos… Não entendo! Mas temos de ter em conta que não sou político.  

De relevar ainda a superior capacidade de investir na defesa; temos bons aviões, helicópteros, submarinos (tudo material de 1ª, tipo Mitsubishi, pois não requerem manutenção), mas não temos dinheiro para munições, salários, carros para a polícia… É como um castelo sem porta, sem fosso, sem ameias, sem água, com paióis cobertos a palha…

Nos Países onde temos elevada afinidade, olhamos por cima do ombro e suspiramos; O café é amargo!
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  • Nos negócios estrangeiros vamos de bem a melhor. O Ministro é muito bom, simpático e domina tudo e todos. Segundo soube não produz défice, não produz mal entendidos, nem ondas…

- Ah! Espera… mas ele é que superintende as escolas de ensino de português no estrangeiro. Aquelas escolas que, em barracões provisórios cobram 2000 euros por mês no pré-primário… (Angola)

E também tem lá uma catrefa de encarregados de negócios que só o são de nome…

Que fecha consulados onde as comunidades são enormes (Namíbia e França e…) e mantém uma relação de quase conflito onde as pessoas querem obter vistos de turismo (Angola) levando a reciprocidades dignas de cabecinhas de alfinete…

Que se apressa a dizer que está tudo bem quando há uma calamidade, mas que na verdade desconhece completamente quantos são os nacionais nos países, onde estão, o que fazem, como os contactar e, quando são precisos… estão de férias.
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  • Mas sem dúvida o que mais apreciei foi a gestão autárquica. As câmaras Municipais são bem geridas, têm o nº certo de trabalhadores e funcionam como manda o partido, perdão, as melhores práticas empresariais. Não se contratam amigos, reformados dos amigos dos amigos. Ainda que as empresas camarárias tenham destruído todas as empresas concorrentes privadas ao seu redor, fizeram-no no superior interesse de… (pausa – não sei os nomes dos interessados) digamos, de Portugal.


Mas o que mais apreciei foi o aparelho do partido. Eu não conhecia esse aparelho (excepto os aparelhos partidos que teimo em não reparar), mas na verdade é ele que mexe os cordelinhos.

Se é certo que já no final do afundanço já todos falavam, competiam para chegar mais alto no português fino, super fino, super cortante, que só os que dominam a língua de Bocage conseguem, o boquinhas ganhava a todos com adjectivos e substantivos que nem sabia existirem.

Só soube a real importância do boquinhas quando vi a listagem de chamadas do dito. Chamadas prá PT, Refer, Carris, Ministérios, Procurador, Casa Pia, perdão, Casa da Moeda, uma conta que, a ser paga, colocaria a PT nas maiores em lucros da Península Ibérica.

Mas os resultados estão aí. Sem cacete, mas com a língua, deixou um rabo de papagaio nas empresas que só arderá quando a geração em causa, bater as botas.  
Bem… caiu. Caiu e não se magoou, algo que só acontece aos políticos. Perdem a pena, mas o mal não lhes vem. Mantêm-se numa boa, bolsos a roçar o chão, e partem abanando notas de 500 euros… coisa fina.

Nota: Alguns analistas (os mais conceituados) dizem que este povo merece. Dizem que são culpas do passado que remonta ao tempo em que combatíamos os mouros, os índios da banda da esquerda e depois dos da direita, depois os dos Sul e agora os do Norte. Se há povo que sempre soube viver bem sem bulir muito, foi o tuga… Penso mesmo que esta fase é transitória. Logo que entre em exploração o gás do Algarve e o petróleo de Peniche, os socialistas voltam e só sairão quando os chineses os mandarem para os Açores.  

Finalmente…

O País timidamente quer mudar…

Timidamente dá 1/3 dos votos aos mesmos que o destruíram. Portugal não tem capacidade para castigar. Portugal tem pena. Portugal sofre mesmo que seja Salazar a cair da cadeira, Hitler a arder, uma espinha no mindinho de Estaline, um argueiro no olho do Mao…

Somos assim…

Vimos fugidos de todo o lado. Lá da Rússia, da Alemanha, da Espanha, do Centro e do Leste e quando a terra acabou, meia dúzia seguiu em frente e vingou por esse Mundo afora, os restante ficaram, sofridos, gelados (mesmo quando o Sol brilha), tristes (mesmo quando não há motivo), sorridentes (quando a senhora de oitenta anos cai e mostra a ceroulas vermelhas), opinando (quando nada se lhes pergunta), lutando (contra todos os moinhos que lhe passam pela frente), odiando (tudo o que brilha), apoiando (todos os coitadinhos), solicitando (o que não têm direito), rezando (a caminho do Intendente), vegetando (o que sempre fez).

Em vez de condenar todos os carpinteiros e jardineiros deste triste e solitário rectângulo mais fundo que a Holanda, oferecemos-lhe preguinhos e tesouras de podar, para eles manterem viva a esperança do regresso.

Beati pauperes spiritu, que é como se sabe, fado…