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terça-feira, 21 de junho de 2011

Estratégia política. Passos versus Nobre

Análise ao ambiente


A entrada do ex-candidato à Presidência de António Nobre nas fileiras do PSD, foi no início entendida como uma estratégia de congregação de valores e votos para o PSD.

Ele representaria centenas de milhares de votos centrados no descontentamento geral sobre a política, sobre os políticos e sobre o sistema.

Na verdade ele teve uma votação expressiva.

A estratégia do PSD parecia à partida correcta.

Erro de análise ambiental dá origem a acções incorrectas

O convite foi formulado mas Nobre queria ser muito no muito que lhe era oferecido. Se representa 1 milhão, se perdeu o melhor lugar do País, o ideal é ser segundo e esperar nova oportunidade para ir à luta pelo 1º lugar.

No fundo a estratégia de Nobre é simples e poderá até resultar se for levada à prática.

Ir para o PSD mas como segundo do sistema.

O PSD hesita. Mas existe algo a pressionar; o PS ainda que com um desastre de política consegue manter-se à tona, as sondagens apontam para um quase vitória e, num último rasgo de publicidade, até poderá vencer. Passos este entre a espada e a parede; ou ganha as eleições ou perde tudo. E perder é algo que nem ele nem o partido estão dispostos a aceitar. Senão conseguirem neste nefasto quadro de gestão nacional, quando conseguirão fazê-lo?

Nobre sabe disso e não aceita menos do que ser o 2º, ser o Presidente dos Deputados. É pouco, mas por 
agora serve.

Falta de estratégia: Má análise de influências

Há algo de que enfermam os políticos em Portugal; falam mais com os correligionários das secções do partido do que com o povo. Não têm uma grande capacidade para ler os lábios e sentir o povo em geral. 

Aliás isso é visível nas mensagens. Falam muito, mas raramente falam daquilo que as pessoas querem ouvir.
Mas não desviando para outro tema.

O PSD cedeu e eis que temos o Passos com o Nobre ao lado.

A fotografia no entanto destoa. Quando Nobre fala, não é fiambre da perna. É osso, osso seco sem tutano.

O partido só então se apercebe do logro em que caiu.

As pessoas votaram em Nobre como votariam no palhaço Tiririca. As pessoas votam de acordo com a última conversa que tiveram no café, uma boca ouvida no metro, uma dica dada pelo tio que, ele estima muito e até está muito bem na vida (ainda que ele não perceba donde lhe vêm tantos dividendos) …

Assumir o erro, estudar alternativas

Agora há que remediar os estragos. Calar o tipo, evitar que apareça, esperar que a entrada do fulano não sirva de pedra de arremesso do Sócrates e do resto da malta política.

Sorte sua os disparates dos parceiros é tanta que enche as cábulas de todos os partidos.

As eleições correram mais ou menos. A malta não castigou o bando socialista. Aliás, era mais uma coisa a prever, pois quem conhece o povo sabe que ele chora e sofre pelo bandido e um nadinha pela vítima.

Ainda que a sua situação esteja mal, o Zé-povinho vê os patrões e banqueiros descontrolados, falidos e isso acaba por ser água fresca sobre a sua pele queimada…
Agora Passos tem que resolver a maca da candidatura do tropeço. Sabe que vai perder.
Perdeu uma, perdeu duas.
E lamentou.

Estratégia alternativa:

Fazer compreender ao povo, ao Nobre, ao PSD e a todos os partidos, que Nobre já não serve, que todos foram enganados e que lhe cumpre a ele a doce vingança.

O CDS com um bocadinho de pressão até liberaria uns votinhos, mas não interessa ao PSD.

No parlamento o PS até estava preparado para votar no dito, mas o PSD pediu para esquecer. O PS entendeu.

1ª Ronda: Partidos 1; Nobre 0
2ª Ronda: Partidos 2; Nobre 0
(Nota: Em Belém ouviu-se um tiro. A GNR correu não fosse o Cavaco ter-se suicidado. Nada! Estava a comemorar com ginginha já que não aprecia champanhe)

Nobre percebeu então que ninguém o queria, e ainda menos os PSD. a Sua estratégia morrera. Desistiu.

Estrategicamente Passos venceu, contrariando o que os “mass-media” disseram.

Os partidos agradeceram ao Passos, mantendo um simpático silêncio (o que não é comum).

Agora a vida continua…

Nota: Estratégia completa: Afastamento do Nobre do parlamento. Que fazer?

Simples: Dar-lhe a palavra uma vez por semana. Ele afastar-se-á voluntariamente para ir dar apoio a uma calamidadezita gerida pela Guterres…


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