Quem está em Angola e ouve os noticiários de Portugal, e sobretudo quando de falar de vir trabalhar para Angola, dá a nítida sensação de que a coisa são favas contadas.
Depois aparecem uns casalinhos, poisados sobre a fortaleza de S. Miguel a olhar a baía de Luanda com aquele ar de quem descobriu S. Paulo de Loanda e que vê, ouve ou lê fica de coração aos pulos…
A coisa é tão fácil. Voo directo, pessoas carentes do amor lusitano, prédios altos, restaurantes de estalo, praia todo o ano… quem quer melhor?
Mas desenganem-se!
A vinda como turista (por umas 5 semanas) é de arrepiar os cabelos; visto, carta de chamada, conta bancária, esperas, agências, etc. etc… e a coisa começa a amargar.
Depois e vida mais barata por aqui é mais cara que existe por aí; hotel 350 USD, almoço, 100 USD (sem vinho), transporte em táxi 30 USD, a menos que goste de desportos radicais entre num candongueiro e aí a coisa baixa para 2 USD. É claro que no segundo dia, se sobreviver, vai andar no mais caro da praça.
Mas aqui, ainda que haja muito que fazer, imensas oportunidades, elas não estão penduradas na parede nem se conseguem só porque chegou o Diogo Cão…
Mas vamos ver a coisa de outro ângulo e diria mesmo, do ângulo certo.
Trabalhar aqui pode ser uma oportunidade real se o Governo assim o desejar. Vamos explicar a essa parte.
Aqui o Estado comanda tudo. Petróleo, diamantes, grandes contratos, etc. estão sempre na dependência do governo. Se ele aceitar a pessoa entra e trabalha, senão…
É óbvio que existem empresas portuguesas, sobretudo na área da construção civil e obras públicas, que contratam, mas normalmente a partir de Portugal. Pelo que excluo desta modesta análise.
Ora se o Estado comanda, o Governo Português é por excelência o interlocutor de eleição para este tipo de negociação.
Durante mais de uma década os socialistas vieram cá para fazer publicidade e mentir. Guterres (que até fez um grande e secreto favor a Angola) veio e inaugurou um padrão de descobrimentos. Acreditem. Colocou-o ali na marginal e foi-se sem tratar daquilo que interessava aos angolanos e portugueses. Aos angolanos interessava os descontos feitos para a previdência antes da independência, aos portugueses a vida facilitada em matéria de vistos de trabalho e residência.
Sócrates, correu na marginal, prometeu pagar as pensões, não resolveu nada de relevante para os portugueses e quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Freitas do Amaral) chegou a Portugal disse que não pagava as pensões. Mais uma a juntar aos milhares de mentiras de que foi useiro.
Passos pode marcar a diferença.
Os angolanos aceitam os portugueses. Podemos colocar cá professores, médicos, enfermeiros, trabalhadores especializados em máquinas (transportes pesados), fábricas, etc. etc.
Também pode negociar a facilitação da entrada de portugueses mediante contratos devidamente formalizados.
Podemos deslocalizar empresas (sobretudo de construção civil) porque aqui faz-se caro, mas sem qualidade e os objectivos de crescimento de habitação social são de 3 dígitos.
A nível de exportação, pode haver imensas oportunidades. Não tanto nos produtos acabados, mas nos produtos semi-acabados e produção local.
Deve ser fomentado o intercâmbio para entrada de produtos angolanos na Europa. Faz tanto sentido com Angola, como faz para o Brasil e o estatuto é bem diferente.
A nível de ensino tanto em Angola como em Portugal, há muito para se fazer. Se se criarem aí, campus universitários para africanos (em portugueses) fica mais barato mandar os filhos angolanos para Portugal, do que os colocar aqui a estudar. Mais barato, mais qualidade, mais segurança. Ora isso dá muito emprego. É só investir aí a resposta será imediata.
Talvez Portugal tenha de investir também aqui. Há pouco dinheiro, eu sei. Mas se investir aqui o que pagam em subsídios, em breve terão retorno.
Angola tem recursos elevados. Madeira, pedras ornamentais, café, terrenos agrícolas, água. Investir aqui é ganho garantido, oportunidade de criação de emprego, uma relação de excelência com Angola e com África.
Existirão muitas mais oportunidades (turismo, pescas, saúde, química, siderúrgica, etc.). Portugal conhece bem Angola (melhor que os angolanos em muitas matérias). Angola pode ser uma superpotência em África. Se Portugal estiver ao lado poderá beneficiar em muito desse desenvolvimento. É uma lógica não colonial, de parceria estratégica, num ponto onde tem sinergias que teima em não explorar.
A minha grande dúvida é se o Portas está na disposição de tomar café connosco.
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